sexta-feira, 21 de julho de 2017

[Resenha] O menino no alto da montanha - John Boyne


Olá, queridos leitores!

Como sabem, estou participando da Maratona Literária de Inverno e devo dizer que estou satisfeita com meu desempenho desta semana. Eu comecei na Segunda-Feira e já estou lendo o quarto livro, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. Sobre ele falaremos em breve.

Venho aqui para trazer uma pequena resenha sobre o segundo livro lido por mim, que entrou na categoria: "Um livro que se passa num período histórico importante". Esse é meu primeiro contato com a escrita de John Boyne e posso dizer que ela foi mais que satisfatória. Mesmo o livro se passando num momento complicado, a Segunda Guerra Mundial, eu realizei a leitura incrivelmente rápido. Atribuo essa façanha à fluidez que encontrei nas frases de Boyne. 

Antes de começar a falar da trama propriamente dita, devo deixar meu amor pela História falar mais alto e fazer uma pequena contextualização do momento ressaltado pelo autor nesse livro. Sabemos que a Alemanha saiu acabada da Primeira Guerra Mundial. Mais que isso, ela foi quebrada em 16 pedaços. Foi humilhada perante os outros países e dentre tantas restrições que sofreu por esse episódio, a mais sentida pelo país foi o fato de ter sido proibida de militar com seu exército. Toda essa situação é fomento para a Segunda Guerra Mundial


Aqui encontramos Pierrot vivendo na França com seu pai alemão, que foi combatente na Grande Guerra (como eles chamam no livro), e sua mãe francesa. A vida desse rapazinho de cinco anos se resume a ir à escola, brincar com seu melhor amigo judeu, Anshel, e com seu cachorrinho, D'Artagnan. A vida financeira da família não é das melhores, mas o que assusta mesmo é o comportamento do pai. Desde que voltou da guerra, ele não tem sido mais o mesmo. Tem bebido constantemente e se mostra cada vez mais agressivo e intolerante. A situação fica tão intolerável que o pai acaba abandonando a família, desaparecendo sem deixar notícias.

Vivendo apenas com a mãe, nosso pequeno protagonista é assaltado por um infortúnio da vida, que o leva a viver por um tempo num orfanato e, em seguida, é levado a morar com sua tia, Beatrix, na casa onde ela é governanta. Tudo estaria muito bem se essa casa na montanha não fosse de Hitler, a quem bem conhecemos e odiamos. 

Pierrot, mesmo sendo muito jovem, é muito inteligente e perspicaz. Além de ser extremamente bondoso, gentil e empático. Ao ser levado para a casa na montanha, ele começa a conviver com a presença odiosa e persuasiva de Hitler, que acaba infectando sua cabecinha com seus ideais distorcidos e pouco humanistas. E é assim que vemos aquela doce criança se transformar num adolescente arrogante, imperioso e regado pelo desejo de ser importante, sem se importar se está machucando aqueles que convivem consigo. 

Que Hitler deva ser uma das pessoas mais odiadas mundialmente, não restam dúvidas, mas algumas coisas sobre ele devem ser reconhecidas. Primeira: o poder que ele tinha de convencer as pessoas era, ao mesmo tempo, admirável e assustador. Com seus discursos nazistas e imperiosos, ele convenceu muitas e muitas pessoas a aderirem a sua causa. Ele foi um exímio comunicador, é uma pena que tenha usado isso para fazer coisas tão terrivelmente ruins.

Segunda: Não podemos duvidar, até certo ponto, da sua competência administrativa. O cara pegou uma Alemanha destruída e restruturou a economia, a arte e a educação, entre outras coisas. Grandes coisas fez Hitler. Terríveis, mas grandes! (Essa frase te soa familiar? Se sim, você está certinho. Ela foi dita pelo sr. Olivaras, sobre Voldemort. Qualquer semelhança entre Hitler e Voldemort não é mera coincidência.) Mas volto a dizer, é uma lástima que ele tenha sido um louco com mania de grandeza e achasse que matar pessoas era uma boa maneira de tornar a Alemanha um império. Mas como diria Lemony Snicket, "sobre Hitler é melhor dizer o menos possível". 

E por que estou falando tudo isso? Porque esse cenário é retratado muito bem neste livro. Em vários momentos vemos como Pierrot se mostra admirado pela importância e pelos feitos do tirano, ou o quanto ele deixa de pensar por si mesmo e toma como suas as crenças nazistas. Isso acontece, principalmente, porque mesmo sendo insano, Hitler se mostra interessado no garoto, sempre o importabilizando, presenteando e delegando-o tarefas junto ao seu gabinete. 

Há uma frase interessantíssima dita pelo pequeno logo que ele chega à residência da tia, que mostra muito bem como as pessoas tinham que viver debaixo da sola da bota de Hitler, abandonando seus ideais sociais, políticos e religiosos, caso não quisessem ser executadas friamente.

"Não posso falar sobre meus amigos, não posso usar meu nome - disse Pierrot, frustrado. - Tem mais alguma coisa que não posso fazer?"

Pierrot não entra em contato direto com os campos de concentração, já que não participou da guerra efetivamente. Mas estava presente nas reuniões onde Hitler e seus lacaios estavam planejando a construção de vários desses locais. Com um acontecimento específico no Natal, Pieter (como passa a ser chamado) prova sua fidelidade ao grande líder da Alemanha, mas acaba gerando uma série de acontecimentos inesperados, que o deixa se sentindo ora culpado e ora com o sentimento de dever cumprido, já que quem não é um bom cidadão alemão deve ser punido. 

O final da guerra chega, mas a Alemanha não está na posição em que gostaria, o que deixa Adolf Hitler ainda mais ensandecido. Todos sabem que no fim das contas ele se mata e isso interfere diretamente na vida de Pierrot. E assim vemos esse jovem tentando trilhar de volta os caminhos que um dia tanto o fizeram feliz. Mas sempre com o sombra das coisas que fez sobre si, sem saber se conseguirá lidar com as consequências das atitudes tomadas. 

Achei o final do livro emocionante e um prenúncio de segunda chance para Pierrot se descontaminar das ideias malucas com as quais Hitler maculou sua inocente infância. Acho que a grande sacada desse livro é realmente mostrar o quanto esses ideais fundamentalmente excludentes de Adolf eram nocivos e perigosos, onde cravavam suas unhas sorrateiramente na cabeça das pessoas e quando elas menos esperavam já estavam apoiando o massacre dos judeus. 

Eu havia dito que a resenha seria pequena, não é? Mas eu me empolgo bastante com essas tramas com teor histórico, amo essa matéria, então peço desculpa pelo meu estendimento. No mais, recomendo esse livro para você que também gosta de enredos ambientados em períodos históricos importantes e que não perde a chance de apreciar uma escrita fluida e envolvente. 

Vou ficando por aqui. Espero que tenham gostado da resenha, um beijo no coração de todos e até a próxima! <3

Nota no Skoob: 4.5/5

Outras informações:
Ano: 2016
Páginas: 225
Editora: Seguinte
Sinopse: Quando Pierrot fica órfão, precisa ir embora de sua casa em Paris para começar uma nova vida com sua tia Beatrix, governanta de um casarão no topo das montanhas alemãs. Mas essa não é uma época qualquer: estamos em 1935, e a Segunda Guerra Mundial se aproxima. E esse não é um casarão qualquer, mas a casa de Adolf Hitler. Logo Pierrot se torna um dos protegidos do Führer e se junta à Juventude Hitlerista. O novo mundo que se abre ao garoto é cada vez mais perigoso, repleto de medo, segredos e traição. E pode ser que Pierrot nunca consiga escapar.



18 comentários:

  1. Ola
    Eu gostaria de poder conferir esse livro também, ainda mais porque a premissa chama muito a minha atenção. Essa ambientação da guerra chama muito a minha atenção, por isso essa obra se mantem na minha lista de desejados. Adorei poder acompanhar as suas impressões a respeito, o que me deixou ainda mais motivada.
    Beijos, F

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  2. Oiii,

    Eu adoro a escrita do John Boyne, acho muito fluida e os fatos sempre muito bem apresentados. Eu ainda não tinha lido nada sobre O menino no alto da montanha, mas sua resenha me deixou encantada e aguardando ansiosamente pela primeira oportunidade que eu terei para ler e descobrir essa história. Ver o outro lado, daqueles que conviveram com Hitler e como reagiam a tudo.

    Beijinhos...
    http://www.paraisoliterario.com/

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  3. Oi, sou apaixonada por história e amei sua resenha. Vc conseguiu contextualizar o ambiente da história e falar muito bem sobre os personagens, mesmo com Hitler incluso na trama. Estou muito interessada nessa leitura, dica anotada. Bjs

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  4. Oi.

    Ainda não li nada desse autor, mas tenho muita vontade. Ouço falar muito de seus livros e fico cada vez mais ansiosa para ler. Vou tentar comprar esse livro ou outro do autor o mais breve. Espero gostar da leitura.

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  5. Oi! Só depois de pesquisar quem era o autor de O Menino do Pijama Listrado que percebi ser do mesmo desse rsrs mas isso por causa da capa e a premissa que achei parecidos. Enfim, gosto bastante de histórias que são baseadas em fatos históricos e essa leitura é uma ótima pedida. Sua descrição me deixou bastante empolgada, e pretendo ler em breve. Beijos 😘 Ótima resenha! E a foto está linda!

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  6. Ah John Boyner <3, meu queridinho dos últimos tempo, espero que esse tenha te incentivado a ler os demais do autor.
    Adoro seus livros, principalmente esses que retratam ou se ambientam no período da guerra porque o autor descreve com muita veracidade cada detalhe.
    Achei muito bacana sua ressalva pra nos situar sobre fatos históricos do momento.
    Beijos!!
    Leituras da Paty

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  7. Olá!
    Eu não sou muito fã de livros que se passam em períodos históricos, mas devo admitir que esse livro me chamou muita atenção, por causa do garoto. Fiquei curiosa para saber como foi toda essa questão dele ser uma pessoa doce e se tornar tão arrogante. E eu super concordo com você, Hitler com certeza é uma das personalidades mais odiadas do mundo, mas toda sua oratória e poder de influência é muito impressionante e aterrorizante. Eu nem me imagino nessa época, porque ter um ditador como Hitler deve ter sido terrível, parece até um livro distópico, onde as pessoas são feitas de fantoche, com lavagem cerebral. É terrível, mas ao mesmo tempo, muito curioso. Esse personagem da história me deixa muito intrigada e eu só fiquei interessada de fato pela história, por causa dele. Vou colocar na minha lista!
    Beijos,
    Nay
    Traveling Between Pages

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  8. Oie!
    Confesso que não gosto muito de livros que se passam em algum periodo de guerra, pois acabo ficando triste ao saber de algumas coisas que as pessoas passaram nessa época. Mas mesmo assim, vou anotar essa dica, fiquei bem curiosa para poder conferir essa trama.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  9. Olá
    Livros com marcos históricos me deixam maravilhada com a vaga em cultural que vemos neles. Já tinha visto resenha desse livro é creio que essa é a segunda e assim como a primeira, me senti tocada. Eu tenho ódio mortal de Adolf Hitler ele me enoja e saber que ele colocou minhocas na cabeça de um garoto me irrita mais ainda, o que ele fez com um povo não tem perdão. Com toda certeza quero fazer a leitura desse livro, amei sua resenha. Beijos!

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  10. Esse autor é bem apegado a tramas que envolvem guerras. Eu não gosto, acho um.período tristíssimo e me incomoda essa abordagem, até mesmo porque conheço pessoas que sofreram os horrores dessa guerra, mas em uma coisa tenho que concordar com você: o poder que Hitler tinha ao se comunicar e a visão administrativa que ele possuía. Uma pena ele ter usado toda essa capacidade para o mal...

    Beijos

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  11. Oie! Tudo bem?

    Eu amo demais livros que retratem guerras, dificilmente leio, mas quando os faço é um atrás do outro e esse livro esta na minha lista, até porque já li bastante critica positiva as histórias desse autor, espero gostar da leitura quando a fizer!

    BJss

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  12. Olá, tudo bem?
    Eu ainda não li nada do John Boyne, mas tenho alguns livros dele na minha meta de leitura, incluindo este. Fiquei muito feliz de ver que você gostou deste livro, até porque eu também amo história, então, acho vou gostar também.
    Um aspecto que me surpreendeu é o fato do protagonista ainda tão jovem acabar sendo corrompido pelos ideais de Hittler. Isso deve conferir mais complexidade ao personagem, já que ele segue por um caminho completamente errado, mas não chega a ser uma pessoa totalmente má.
    Adorei sua resenha e espero gostar deste livro tanto quanto você!
    Beijos!

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  13. Que resenha linda de se ler!
    Confesso que quero muito ler esse livro, mas infelizmente ainda não tive oportunidade. Adoro personagens diferentes e planos de fundo fortes como os desse livro.
    Espero ler em breve e gostar tanto quanto você gostou.
    Beijinhos
    Rizia Castro - Livroterapias

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  14. Olá, tudo bem?
    Eu tinha colocado esse mesmo livro na TBR da MLI, mas flopei bonito e não consegui ler. Achei sua resenha extraordinária e adorei o que você disse sobre Hitler, ele é, mesmo, muito odiado, mas ele tinha um jeito que era fascinante e assustador, não é?
    Achei muito legal o autor ter retratado tão bem essa parte da nossa história.
    Vou super anotar a dica.
    Obrigada por me presentear com essa resenha extraordinária.
    Beijos

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  15. Olá!!
    Se eu disser que nunca li nada desse autor vc acreditaria?? Pois é..Amo estórias em que é ambientada na segunda guerra,e claro que esse livro já entrou na minha lista de leitura!!
    Agora fiquei super curiosa pra saber como será a vida de Pierrot pós Hitler!

    http://livroaoavesso.blogspot.com.br/2017/07/resenha-quando-noite-cai-carina-rissi.html#comment-form

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  16. Olá, tudo bom?
    Os livros do John Boyne tem esse poder de serem retratados em épocas difíceis e ainda assim serem super fluidos! Curti muito a premissa desse livro e o contexto na segunda guerra mundial e a mensagem que passa sobre as ideias perigosas de Hittler e o poder que tinha sobre as pessoas. Já quero conhecer esse final emocionante!
    Amei a resenha e a dica ^^

    Beijos!!

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  17. Oi Ingrid,
    nunca li nada do Boyne, mas estou querendo acrescentar esse tipo de leitura na minha rotina literária. Não sou lá muito dada a leituras históricas, mas sei da importância que esse tipo de literatura tem e da riqueza de informações que se adquire lendo tais livros, inclusive esse livro me chamou bastante a atenção quando foi lançado, mas com o tempo acabei me esquecendo dele e fiquei super feliz em poder ler essa resenha hoje, fez com que eu me lembrasse o quanto quero lê-lo.

    Beijos!

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  18. Olá!
    Que bom que a sua maratona está fluindo! Eu nunca li nada do autor, mas esse em particular me chamou muito a atenção porque adoro obras ambientadas na segunda guerra e achei super interessante ela tratar todos esse pontos fortes de Hitler, que de fato são inegáveis. Parece ser realmente uma leitura muito interessante.
    Beijos.

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